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CARTAS, JULHO DE 2019


No Palazzo Delle Acque à conheci.
Em meio ao Baile de Máscaras à deslumbrei.
Pela máscara de renda seus olhos verdes brilhavam.
Inibidos eles me vigiaram. E a doçura de sua voz me calava a ouvir atentamente.
Deixei-me levar pela música e na dádiva da aproximação contemplei os olhos de esmeraldas, as maçãs levemente rosadas, o calor na suavidade de suas mãos que me levaram pelas estações da noite.
Sim. É ela. Pois era loucura sentir tudo aquilo em poucos instantes em uma noite. A menos que ela realmente existisse.
No medo de não haver outra oportunidade em revê-la, tomei a indelicadeza de te desejar por palavras. Não recebi o “sim”, nem o “não” ... isso foi a confirmação que ela é daquelas que se vê somente uma vez na vida.
Os raios de Sol transpassavam a figueira e as folhas pairavam em frente à igreja naquele Domingo de inverno. Ahh... o Domingo de inverno! Sentado esperando-a. Subindo a rua lá ela vinha. Seu vestido de estampa seguia no balançar de cada passo. Contemplei, ali sentado, sobre o ombro o seu sorriso sereno e sincero.
Lhe estendi à mão para segurança daquelas trilhas. Confesso que desejei mais perigos para nossas mãos os dedos se trançarem. Mas, o tempo era o dono. Na conversa e nas singelas trocas de sorrisos e olhares, nos conhecíamos um pouquinho mais em meio aos sabores do café da tarde.
Na descida das curvas da pequena Venezia a música já descrevia... “Oh, you look so beautiful tonight! In the city of blinding lights!”. A lua disputava o brilho da pequena Itália! E eu disputava o desejo de admirá-la no fulgor daquela noite. Era uma felicidade incontrolável como o ritmo da canção.
A despedida naquela noite era inevitável. A luz adentrava o carro e reforçava a beleza de nuances das silhuetas do seu rosto, seu cabelo e suas vestes. Beijei-a no rosto, e tímidos os lábios trêmulos se deslizaram ao encontro. Eu... Eu me sentia como ninguém antes.
Lá estava você novamente irradiante por trás da máscara no mesmo vestido limão que lhe conheci. Do desfile de passos e giros, caras e bocas, olhares e corações, espetáculo e espectadores, fiz minha noite nos seus braços, e novamente dançamos que nem o frio nos acorrentou. E nas escadas, o aconchego dentro do abraço demorado, do contato de corpos ausentes, o sentimento de estar completo, seus dedos roçaram minha barba, meus lábios percorreram sua face, a cautela e o embaraço lhe invadia, eu sei, mas minha tenacidade a desarmou. Na curva do sorriso uma oportunidade de ser feliz. Beijo doce e ao mesmo tempo obstinado a continuar para acalentar meu anseio e me alimentar com novos desejos.

Entre a trilha de madeira em meio ao parque, minhas mãos lhe pertenciam, meu aconchego lhe pertencia. O Pôr-do-Sol era convidativo e reforçava sua totalidade no espelho da água. Fotos, poses, sorrisos, abraço e o beijo, mais intenso, e cauteloso pelo susto do som da mata, mas ele não sessou, não se saciou. Com ternura me completou com seu abraço em cada passo. No meio do caminho havia uma árvore, uma árvore havia no meio do caminho rsrrsrsrs. Das minhas piadas na trilha, até dos seus tapinhas que provavam sua descontração.
Cafeteria ou Casa do Doce? De sua generosidade imensurável em compartilhar cada passo debaixo daquela sombrinha. Da troca de gentilezas, das sugestões de cada prato, da conversa serena, de sua beleza intrínseca que por si só merecia o reflexo no espelho à sua frente.
Estes são flashs de memória que nunca mais esquecerei.
Sim, você é real! E é tudo o que quero nesta vida!
Eu já me entreguei a você!

Geovane Westrup 
Julho, 2019.

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